Com passos calmos e cheios de amor, lá vai dona Aparecida, passando de quarto em quarto, semeando suas palavras de bondade e carinho aos internos e funcionários do hospital do Fogo Selvagem. Trabalhando até hoje na instituição, a "vó", como é chamada pelos pacientes do Pênfigo Foliácio (também chamado vulgarmente de Fogo Selvagem devido à semelhança com queimaduras), vai ao nosso encontro para contar a sua história de amor e caridade, mostrando o quanto foi difícil fundar um hospital para tratar de uma doença tão desconhecida e, de como conseguiu passar por cima do preconceito.
A vida pobre a influenciou ser solidária.
Aparecida Conceição Ferreira nasceu em 19 de maio de 1915, na cidade de Igarapava, estado de São Paulo. Criada por um tio, vendia doces, verduras e frutas para ajudar na manutenção da casa e para aprender a trabalhar, até então, nunca tinha pensado em trabalhar com doentes. Ela cresceu, casou-se, em 1934, com Clarimundo Emídio Martins e começou a trabalhar para pegar crianças de rua para criar.
Devido a um acidente com seu marido, Aparecida teve que duplicar seus trabalhos para que não faltasse o pão em seu lar. A família mudou-se para a cidade mineira de Nova Ponte, onde ela exerceu o magistério na zona rural, além de trabalhar como parteira.
De volta a Uberaba ela foi trabalhar como enfermeira técnica, na Santa Casa de Misericórdia, no setor de Isolamento. Em 1957 começaram a chegar pacientes com a doença do Fogo Selvagem. Mas a permanencia dos portadores do pênfigo não agradava a direção do hospital. A primeira ação da diretoria, na época recém empossada, foi expulsar esses doentes. Revoltada, dona Aparecida saiu pelas ruas com os doentes tentando várias alternativas em vão. Ao voltar para o hospital, desanimada pela rejeição demonstrada pelas pessoas de Uberaba e diante do estado crítico dos doentes, que deixavam rastros de sangue onde pisavam, dona Aparecida encontrou um homem que se interessou pelo assunto e a levou ao hospital.
O homem conversou com a diretora do hospital e deu a ordem para que Aparecida e os doentes ficassem ali. Depois de tudo resolvido, ela descobriu que o tal homem era o Promotor de Justiça.
A mágoa com a direção do hospital permanecia. Dona Aparecida decidiu ir embora e os doentes resolveram acompanha-la. Na ocasião, eles não podiam sair pela porta, então ela quebrou um pedaço do muro para passarem. Depois que todo mundo passou, ela colocou as pedras no lugar e chegando em casa enfrentou mais um greve problema: a família. O marido e filhos mandaram que ela escolhesse entre eles e os doentes. Aparecida não tutibiou, escolheu os enfermos. Os vizinhos lhe deram o colchão, cavalete, tábua, caixote e tudo que pudesse servir de cama. À tarde estavam todos os doze agasalhados.
Dois dias depois, dona Aparecida recebeu a visita do diretor da Saúde Pública e o Assessor de Educação que arrumaram uma parte do asilo São Vicente de Paulo (que antes era necrotério) e disse que ficassem dez dias até arrumar local melhor. Foram dez anos. Nunca mais se ouviu falar no diretor da escola, nem assessor de educação. Mesmo assim ela continuou seu trabalho, em 1961 havia 363 enfermos.
Eles tinham somente a roupa do corpo e a roupa de cama. Em 1964, ela percebeu que naquele lugar não dava mais e foi para São Paulo. No viaduto do Chá ela pedia esmola para os doentes do Hospital do Fogo Selvagem de Uberaba. Um médico e um advogado, que eram vereadores uberabenses, foram até lá e vendo dona Aparecida naquela situação, acharam que ela estava desmoralizando Uberaba. Foram à delegacia e aos Diários Associados e fizeram a denúncia. Isto fez com que Aparecida ficasse presa quatro dias, sendo solta por intermédio de uma advogada voluntária, chamada Dra. Izolda M. Dias, que a defendeu no processo.
Ao saber do ocorrido, Saulo Gomes, repórter da TV Tupi, fez uma reportagem. Ele andou por todo o pavilhão do asilo São Vicente de Paulo, filmando e mostrando para o público a realidade dos enfermos. Com essa atitude promoveu-se uma campanha beneficente e muitas cidades participaram ajudando os doentes.
Aparecida passou muita necessidade. Quando a situação financeira piorava, ela ia para São Paulo onde recebia ajuda da comunidade espírita paulistana. Enquanto isso, sua filha ficava com os doentes. Segundo Aparecida, o povo de São Paulo a ajudou muito mais que o povo de Uberaba. Quando ela precisava de comida pegava um caminhão, que não era dela, e passava nas fazendas da região, recebendo alimentos dos fazendeiros.
A nossa intenção, é levar a solidariedade para essas pessoas que tanto precisam de nós, e para isso, colocamos abaixo as informações necessárias para que seja enviada qualquer tipo de ajuda:
01. NOME: Lar da Caridade
02. ÁREA DE ATUAÇÃO: Assistência Social / Crianças e jovens Saúde
04. SEU PÚBLICO ALVO: Crianças e adolescentes / Sociedade civil em geral
05. OBJETIVOS/ MISSÃO/ VALORES: Prestação de serviços de assistência social com total gratuidade a todos que necessitam de amparo, especialmente às crianças, adolescentes e idosos carentes que possuem ou não necessidade de cuidados especiais, bem como os doentes portadores de pênfigo " fogo selvagem", com excelência na qualidade. Devido o pênfigo "fogo selvagem" ser uma doença de etiologia desconhecida o tratamento e a cura são demorados.
06. SINTOMAS DA DOENÇA: O Pênfigo foliáceo ou "Fogo selvagem" é uma moléstia caracterizada essencialmente pelo aparecimento de bolhas no tórax, rosto e couro cabeludo, e depois em todo o corpo, e que evolui para um estado em que predomina descamação generalizada, se não for convenientemente tratada.
07. LAR DA CARIDADE: Popularmente conhecido como Hospital do Fogo Selvagem, é uma entidade de ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS, que possui em sua estrutura mui grande amor ao próximo e faz de seu labor social uma fonte inesgotável e minimizadora do sofrimento das pessoas, com escopo de prestar serviços assistenciais sem fins lucrativos e com total gratuidade a todos que necessitam de proteção, especialmente às crianças, adolescentes e idosos em situação de vulnerabilidade, bem como os doentes portadores de pênfigo "fogo selvagem", na excelência da qualidade, buscando, mormente, estar envolvida em projetos que visam erradicar o sofrimento, a dor, a fome, a miséria e a violência em seus mais diversos segmentos, tudo em conformidade com a LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social.
08. FORMA JURIDICA: Sociedade civil sem fins lucrativos
09. RESULTADOS JÁ ATINGIDOS: Agosto / 1957
10. A ENTIDADE ESTÁ CADASTRADA NO CADASTRO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL(CNAS)? Sim
11. A ENTIDADE É RECONHECIDA COMO DE UTILIDADE PÚBLICA NOS TRÊS NÍVEIS DE GOVERNOS (MUNICIPAL, ESTADUAL E FEDERAL)? Sim
13. PARA DOAÇÕES EM DINHEIRO: Dados bancários para recebimento da doação:
Banco: Bradesco Agência: 0264-0 C/C: 14572-6 Favorecido: Lar da Caridade
Banco: Banco do Brasil Agência: 3278-6 C/C: 3724-9 Favorecido: Lar da Caridade
CNPJ: 25440835/0001-93
14. EMITE RECIBO PARA DEDUÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA? Sim
15. COMO DISPONIBILIZA O RECIBO? Através dos Correios
16. TIPO DE DOAÇÃO QUE NECESSITA: » Alimentos não perecíveis » Cadernos, livros de literatura, lápis de côr... » Equipamentos médicos e hospitalares (UTI, Raio X, Macas), remédios...
17. FORMA DE CONTATO: » Telefone para contato: (34) 3332-2919 » Telefone para doações: (34) 3332-2919 » Fax: (34) 3332-2919 » Email: fogoselvagem@terra.com.br » Nome da pessoa de contato: Ivone Vieira